terça, 30 de janeiro de 2018 às 10h00

INFORMAÇÕES DA ABFH SOBRE A FEBRE AMARELA DESTINADAS AOS FARMACÊUTICOS HOMEOPATAS

Fique por dentro

Autores: Amarilys de Toledo Cesar - farmacêutica e docente homeopata; doutora em Saúde Pública USP; ex-presidente da ABFH; ex Secretária de Farmácia da Liga Médica Homeopática Internacional; membro do Grupo de Trabalho sobre Homeopatia do Conselho Federal de Farmácia.

Ivan da Gama Teixeira - farmacêutico especialista em homeopatia; ex-presidente da ABFH; Vice Presidente e diretor técnico da ANFARMAG (Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais) gestões 2012 2014 e 2014 2016; membro do Formulário Nacional da Farmacopeia Brasileira.

Revisado pela Diretoria da ABFH gestão 2017-2019.

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados. Não há transmissão direta de pessoa a pessoa. A doença pode ser transmitida em área rural ou de floresta, ou disseminar-se em áreas urbanas infestadas pelo mosquito Aedes aegypti.

Nos anos de 2016/2017 houve um grande surto, principalmente nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, anteriormente afetados por um importante desastre ambiental (Desastre de Mariana). Todos os casos são de residentes em zonas rurais ou que tiveram contato com áreas silvestres por motivos de trabalho ou de lazer. Neste ciclo da febre amarela, chamado silvestre, os primatas não humanos (macacos) são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus. Os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, especialmente dos gêneros Haemagogus e Sabethes.

O homem é um hospedeiro acidental ao entrar em áreas de mata. No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados. Portanto podemos ver a importância do combate ao mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue, zika e chikungunya. Uma pessoa começa a apresentar os sintomas iniciais de 3 a 6 dias após ter sido infectada.

A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), assim como as Secretarias de Saúde estaduais, produzem informes semanais sobre a situação no Brasil, com dados sobre a vigilância de casos humanos, vigilância de epizootias em primatas não humanos (PNH), vacinação, além de outras informações relevantes sobre o assunto em http://portalms.saude.gov.br/vigilancia-em-saude.


Sintomas

Os sintomas iniciais da febre amarela incluem o início súbito de febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. A maioria das pessoas melhora após estes sintomas iniciais, ou seja, curam-se. Porém, cerca de 15%, após algumas horas ou um dia sem sintomas, pioram, e desenvolvem uma forma mais grave da doença. Em casos graves, a pessoa pode desenvolver febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia (especialmente a partir do trato gastrointestinal) e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Cerca de 20% a 50% das pessoas que desenvolvem doença grave podem morrer. Ou seja, esta alta mortalidade é considerada entre os cerca de 15% que desenvolvem a forma mais grave da doença. Calculada desta maneira, falamos em no máximo cerca de 7,5% de mortalidade entre todos os que adquirem a febre amarela, o que é bem diferente das notícias alarmistas que divulgam que “não há cura para quem fica com febre amarela”. É importante que, no caso dos sintomas iniciais, o paciente informe sobre viagem para áreas de risco nos 15 dias anteriores ao início dos sintomas, se observou macacos mortos, se tomou vacina contra a febre amarela anteriormente, e quando isto aconteceu. O farmacêutico pode fazer esta anamnese inicial, e em caso de não vacinado que esteve em áreas de risco, com sintomas de febre amarela, encaminhar o paciente para uma unidade de saúde mais próxima, onde o diagnóstico e o tratamento podem ser feitos. Tratamento O tratamento convencional é apenas sintomático, com cuidadosa assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso, com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para reduzir as complicações e o risco de óbito. Medicamentos contendo salicilatos devem ser evitados (AAS e Aspirina), já que o uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas. Prevenção A vacina convencional, desde abril de 2017, é feita através de dose única, válida para toda a vida, segundo as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Toda pessoa que reside em Áreas com Recomendação da Vacina contra febre amarela e pessoas que vão viajar para essas áreas devem se imunizar. São elas Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e atualmente Espírito Santo. São áreas de risco locais as que têm matas e rios, onde o vírus e seus hospedeiros e vetores ocorrem naturalmente.


Contraindicação para a vacina

Em pessoas saudáveis e com o sistema imunológico em ordem, não há riscos. Porém, há grupos de risco nos quais o vírus atenuado pode gerar efeitos colaterais ou não ser eficaz, como gestantes e lactantes de bebês até 6 meses; bebês de até seis meses (entre 6 e 9 meses, só após avaliação médica); idosos; pessoas com doenças que reduzem a imunidade como AIDS, câncer, anemia, lúpus e diabetes descontrolada; quem toma medicamentos imunossupressores como transplantados, portadores de doenças autoimunes e câncer; os que tem alergia a ovo (já que o vírus é cultivado em clara). Alternativas que a homeopatia oferece É tradicional o sucesso da terapêutica homeopática em épocas de epidemia ao longo da história. Como pode ser usado? Hahnemann, o criador da homeopatia nos ensina que em situações de epidemia, quando há muitos indivíduos doentes ao mesmo tempo, com sintomas parecidos, seus sintomas devem ser observados, e assim um medicamento homeopático abrangendo a totalidade destes sintomas, deve ser escolhido. Ele afirmou que cada epidemia isolada tem caráter peculiar, uniforme e particular comum a todos os indivíduos afetados. E quando este caráter se encontra nos conjunto característico dos sintomas comuns a todos, aponta o caminho para a descoberta do medicamento homeopático (específico) adequado para todos os casos. Conclui dizendo que este será praticamente eficaz em todos os doentes que gozavam de saúde razoável antes da epidemia. Se você quiser saber mais sobre “Gênio Epidêmico” leia os parágrafos 100 a 104, e o 241 da 6a Edição do Organon. Outra possibilidade é a isoterapia, na qual o tratamento ocorre pelo igual (ou o “extremamente semelhante”). A ideia é a seguinte: um paciente com sintomas provocados pelo vírus da febre amarela pode ser tratado através da administração do próprio vírus, em quantidades muito pequenas. Onde o vírus é encontrado? Na própria vacina, que é feita com vírus vivo atenuado. É o mesmo que usamos na prevenção e/ou tratamento de outras doenças semelhantes, como Influenzinum para a gripe, Leptospira contra leptospirose, e outros. É uma alternativa de proteção, ainda que não comprovada especificamente para febre amarela, para aqueles que não podem ser vacinados. O medicamento deve ser chamado de Isoterápico de Vacina de Febre Amarela, e tem sido usado em doses repetidas de potência 30CH. Os medicamentos homeopáticos clássicos que cobrem diversos sintomas de febre amarela e podem ser úteis para tratar, quando os sintomas forem compatíveis, especialmente considerando que não há medicamento convencional específico, são: Aconitum napellus: para o estágio inicial, com febre alta, calafrios com pele seca, pulso rápido e fraco. É esperado que acalme rapidamente as condições gerais do paciente. Gelsemium sempervirens: para a fase inicial se o paciente está apático. Belladonna ou Bryonia também podem ser usados. Ou Camphora com seu intenso frio e tendência para o colapso. Se houver vômito, este pode ser controlado por Ipeca.

Arsenicum album: geralmente no segundo ou terceiro estágios e é um dos medicamentos mais importantes para a febre amarela. O paciente tem náuseas e vômitos contínuos. O vômito é de bile ou muco com fios negros ou sanguinolentos, face amarela e pulso pequeno, fraco e trêmulo. Há muita queimação na região precordial, sede intensa e queimante, para pequenas quantidades de água. Com frequência pode ser o único medicamento usado para a cura dos sintomas desta doença. Lachesis: resultados muito satisfatórios, especialmente se há vômitos, abdômen amolecido, língua marrom, delírio, fala lenta, náuseas, descargas ofensivas e urina negra. Corresponde a envenenamento neurológico e é indicado para casos severos. Acidum sulphuricum: para hemorragias com sangue negro, suores profusos com exaustão, fezes fétidas e secreção diminuída de urina. Argentum nitricum: cobre vômitos intensos, com piora do paciente. Phosphorus: hemorragias, icterícia. Foi usado com sucesso na epidemia do Rio de Janeiro, no início do século passado. Crotalus horridus: corresponde ao estágio do vômito negro e envenenamento sanguíneo, – há algum delírio, pele amarela, sangue escorrendo de cada orifício do corpo; mesmo suor sanguinolento pode estar presente. A pela amarela presente nos sintomas deste medicamento é característica e denota mais envenenamento do sangue do que icterícia. Cadmium sulphate também tem sintomas de vômitos negros e também deve ser considerado. Carbo vegetabilis: tem sido considerado como preventivo da febre amarela. Hering afirmou que este é o medicamento que mais corresponde à totalidade de sua ação na febre amarela (gênio epidêmico). É adequado para o terceiro estágio, quando estão presentes colapso, frio intenso, descargas extremamente fétidas e grande exaustão das forças vitais.

Conclusão

A febre amarela é uma doença infecciosa grave que pode ser prevenida através da vacinação convencional, para a qual há algumas restrições. Para estes pacientes, é possível utilizar medicamentos homeopáticos escolhidos segundo o gênio epidêmico, ou ainda isoterápico produzido pela dinamização do vírus vacinal, chamado de Isoterápico de Vacina de Febre Amarela.

O combate ao mosquito não deve ser abandonado, por ser uma maneira importante de diminuir os vetores e, portanto, a incidência da doença. 

Fonte: Comunic.Ativa - Assessoria de Imprensa - Imprimir

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