Dr. Fábio Miotto: uma vida dedicada à Farmácia Hospitalar, Oncológica e à Saúde Pública de Mato Grosso do Sul
O farmacêutico, Fábio Miotto, é um nome de destaque em Mato Grosso do Sul quando se fala em Farmácia Hospitalar, Oncológica e em gestão pública da saúde. Com uma trajetória sólida, construída ao longo de décadas em instituições como o Exército Brasileiro, a Santa Casa, o Hemosul e a Clínica Hope, ele tem contribuído de forma significativa para o avanço da atuação farmacêutica em diversas frentes, especialmente no cuidado a pacientes oncológicos e no uso racional de medicamentos.
A escolha pela profissão não foi imediata. Fábio chegou a cursar um ano de Enfermagem antes de perceber que seu caminho era a Farmácia. Ingressou na antiga APEC, onde se formou com habilitação em Indústria. Começou sua trajetória como professor de microbiologia e bromatologia, experiência que o levou à sua primeira especialização, em Metodologia do Ensino Superior.
Em 1987, assumiu um novo desafio na Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (SESAU), trabalhando em um posto rural antes de ser designado para a Farmácia Central. Na época, era o único farmacêutico vinculado à área de medicamentos da rede municipal e foi responsável por implementar a primeira padronização de medicamentos e por garantir a presença de farmacêuticos responsáveis técnicos nas unidades básicas de saúde.
Sua vivência na farmácia hospitalar começou ao ingressar como oficial temporário no Exército, onde atuou no Hospital Geral de Campo Grande. Ali, desenvolveu atividades voltadas à padronização de medicamentos e implantação da dose individualizada, o que aprofundou seu envolvimento com a assistência farmacêutica hospitalar.
A oncologia passou a fazer parte de sua vida profissional em 2003, com a atuação no setor de quimioterapia do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, então chamado CETHOI, voltado ao atendimento de crianças com câncer. Ao longo dos anos, o setor se expandiu para atender adultos, exigindo maior especialização e atualização contínua. Foi também nessa época que ajudou a fundar a Clínica Hope, especializada em hemato-oncologia pediátrica, onde assumiu a responsabilidade técnica da farmácia oncológica. Para ele, a atuação na área exige precisão e constante atualização, já que pequenos erros podem ter grandes consequências no tratamento. "Na oncologia, cada detalhe importa. É uma área que exige concentração, estudo constante e um profundo senso de responsabilidade," destaca.
Em 2016, Fábio foi cedido para o Hemosul, onde estruturou a farmácia do serviço e passou a gerenciar os hemoderivados, além de acompanhar pacientes com coagulopatias hereditárias. Organizou o cadastro dos portadores, assegurou a adesão ao tratamento e controlou a distribuição dos fatores de coagulação, com atenção especial a pacientes com hemofilia. Um dos momentos mais marcantes de sua carreira ocorreu ao contribuir com o diagnóstico correto de dois pacientes que há décadas recebiam tratamento inadequado. Um deles, por exemplo, era tratado como portador da doença de Von Willebrand, mas após uma reavaliação foi diagnosticado com Hemofilia A Grave, o que transformou sua qualidade de vida.
Fábio também participou diretamente de avanços científicos na oncologia, acompanhando o uso de anticorpos monoclonais e os primeiros biossimilares disponíveis no Brasil. Um marco em sua carreira foi a aplicação off-label do anticorpo HER2 por via intratecal em pacientes com metástases cerebrais de câncer de mama, obtendo resultados promissores. Apesar de estar aposentado antes de acompanhar de perto o uso das terapias celulares CAR-T, ele destaca a importância dessa inovação para o futuro da oncologia.
Além da atuação assistencial e hospitalar, Fábio também exerceu papel importante como conselheiro regional do CRF-MS. Ele esteve presente em debates cruciais para a regulamentação da Farmácia Oncológica no Brasil, como a publicação da Resolução CFF nº 640/2017. Ele reconhece os avanços, mas lamenta que não se tenha garantido a devida qualidade nos cursos de formação na área, um fator que ainda compromete o preparo adequado dos profissionais. "A regulamentação foi um passo importante, mas ainda enfrentamos muitos desafios na formação. Precisamos de cursos mais robustos e focados na realidade da prática oncológica", afirma.
Mesmo afastado da atuação profissional, com mudança prevista para Dourados, Fábio Miotto se mantém como referência. Seu legado permanece nos projetos estruturantes que ajudou a construir e na formação de novos profissionais. Para ele, o farmacêutico precisa ocupar com excelência os espaços de cuidado e gestão na saúde. Sua trajetória é marcada por compromisso, ciência, dedicação e paixão pela profissão, um exemplo claro de como a farmácia pode, de fato, transformar vidas.
O CRF-MS agradece ao Dr. Fábio Miotto por sua contribuição exemplar à profissão farmacêutica. Seu trabalho inspira gerações e reforça o valor do farmacêutico como agente essencial na saúde pública. Que sua história continue motivando novos profissionais a seguirem o caminho do conhecimento, da ética e da humanização.




