Conselho Regional de Farmácia

De Mato Grosso do Sul

Dengue e Síndrome de Guillain-Barré: Estudo Reforça a Importância da Atenção Farmacêutica no Pós-Dengue

Um novo alerta para a prática clínica em regiões onde a dengue é endêmica acaba de ser reforçado por um estudo brasileiro publicado no conceituado New England Journal of Medicine (NEJM). A pesquisa, que analisou dados nacionais de hospitalizações e notificações entre 2023 e 2024, identificou um aumento expressivo no risco de hospitalização por Síndrome de Guillain-Barré (SGB) nas semanas subsequentes à infecção por dengue confirmada laboratorialmente.

O Estudo e os Números

De acordo com o levantamento, foram identificadas 5.055 hospitalizações por SGB no período analisado. Entre os casos com registro de dengue documentada, 89 ocorreram dentro de uma janela de risco de 1 a 42 dias após o início dos sintomas da arbovirose. Os pesquisadores estimaram que ocorrem, em média, 35,5 casos excedentes de Guillain-Barré por milhão de infecções por dengue.
Embora a SGB continue sendo uma complicação rara, o dado é relevante para a assistência e vigilância em saúde em países que enfrentam epidemias frequentes de dengue, como o Brasil.

O que é a Síndrome de Guillain-Barré?

A SGB é uma doença autoimune onde o sistema imunológico ataca por engano os nervos periféricos, destruindo a bainha de mielina (capa protetora). Isso dificulta a transmissão de sinais entre o cérebro e os músculos.

Sinais de Alerta e Sintomas:

  • Formigamento (parestesia) nos dedos dos pés e mãos;
  • Fraqueza muscular ascendente (que "sobe" pelas pernas para o resto do corpo);
  • Dificuldade de marcha ou para subir escadas;
  • Em casos graves: dificuldade para respirar, deglutir e paralisia facial.

A Atuação do Farmacêutico Clínico

O farmacêutico ocupa uma posição estratégica no controle das arboviroses por ser um dos pontos de acesso mais frequentes da população aos serviços de saúde.

1. Identificação Precoce: O profissional deve estar atento a pacientes que relatam perda progressiva de força ou formigamento após um quadro de dengue. A fraqueza da fase de recuperação da dengue não deve ser confundida automaticamente com evolução neurológica; queixas persistentes exigem encaminhamento médico imediato.

2. Uso Racional de Medicamentos: A atuação farmacêutica é decisiva para evitar a automedicação inadequada durante quadros suspeitos de dengue. O uso de antiinflamatórios não esteroidais (AINEs) e ácido acetilsalicílico (AAS) pode aumentar o risco de sangramentos e agravar o quadro clínico.

3. Educação em Saúde: Orientar sobre sinais de alarme, hidratação adequada e medidas de prevenção (eliminação de criadouros e uso de repelentes) continua sendo essencial.

Manejo e Tratamento

A SGB é uma emergência médica. O tratamento precoce é fundamental para um bom prognóstico e geralmente envolve:

  • Imunoglobulina intravenosa: Ajuda a reduzir a reação do sistema imune.
  • ⁠Plasmaférese: Filtragem do plasma sanguíneo para remover anticorpos prejudiciais.
  • Fisioterapia: Essencial para a recuperação da mobilidade e reabilitação.

A maioria dos pacientes (cerca de 80%) recupera-se total ou parcialmente, embora o processo possa levar meses ou anos.

Referências:

  • New England Journal of Medicine (NEJM).
  • Ministério da Saúde.
  • MSD Manuals; Mayo Clinic.