Conselho Regional de Farmácia

De Mato Grosso do Sul

Contra as drogas, adolescentes mostram que são bons de bola

Em Campo Grande, 11,3% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental já usaram algum tipo de droga ilícita

Neste sábado, alunos do projeto “Bom de bola, bom na escola” da Polícia Militar participaram da XV Semana Nacional Antidrogas, com partidas de futebol de campo realizadas pelo CRF/MS (Conselho Regional de Farmácia), na sede do Sindicato dos Farmacêuticos, no bairro Vilas Boas, em Campo Grande, cedido pelo presidente, Luiz Gonçalves Mendes Júnior.

A ideia era trazer a discussão para o campo e mostrar os riscos do consumo de drogas. Cerca de 150 crianças e adolescentes formaram times para a partida. O projeto, da Polícia Militar, que já está no terceiro ano de execução conta com 450 crianças em cinco cidades: Campo Grande, Aquidauana, Pedro Gomes, Iguatemi e Jaraguari.

Em Campo Grande, 11,3% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental já usaram algum tipo de droga ilícita, os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e em cima deles, o CRF/MS que faz parte do Conselho Estadual Antidrogas se ofereceu de realizar o futebol.

O assessor jurídico do CRF/MS e membro do Conselho Estadual Antidrogas, Marcelo Alexandre da Silva, falou da preocupação que as entidades têm diante da precocidade de adolescentes no envolvimento com drogas. “Tanto ilícitas, como lícitas, a preocupação é muito grande e vamos trazer esse apoio para que eles possam estar preparados até emocionalmente para vencer esse desafio e optarem por uma vida saudável”.

Durante toda manhã, os alunos jogaram futebol, fizeram um lanche doado pelo Sindicato dos Farmacêuticos, e receberam a premiação por participarem do evento. O presidente do CRF/MS, Ronaldo Abrão, chamou atenção deles para o fato de que cada vez mais adolescentes e jovens têm usado medicamentos que causam dependência. “Além dos de tarja preta e entorpecentes, a anfetamina que já foi proibida a venda é usada como estimulante para varar a noite nas baladas e também para o próprio trabalho”, alerta.

Instrutor do projeto, o soldado da PM, Marcelo Rodrigo Schuellert, descreve que na prática a maior dificuldade dos alunos é a desestrutura familiar. Adolescentes que não têm exemplos em casa, na rua e na escola. “Tentamos trabalhar na prevenção. Muitos deles não conhecem outro mundo, não têm expectativa, às vezes um vizinho é traficante. Nosso maior intuito aqui é que eles saiam médicos, engenheiros, advogados, cidadãos do futuro”, ressaltou.

O reflexo das mudanças no comportamento são sentidos em casa. Silmara Rezende Fagundes, 39 anos, é mãe voluntária do projeto e tem dois filhos participantes. “Mudou muito, vejo em casa, meus filhos tem 100% de disciplina. Os outros pais também falam das notas, do comportamento. O projeto na minha vida e na vida dos meus filhos é muito bom”, diz.

E para mostrar que meninas também jogam bola é que Jéssica Galvão, 13 anos, entrou para o bom de bola neste ano. “Eu queria desenvolver melhor e ter mais disciplina”, comentou. Acompanhada da amiga, Emily da Silva, 11 anos, as duas relatam que apesar de conviver em escola e no bairro com as drogas, sabem dizer não.

“As drogas não levam a nada na vida. Não dá futuro, não dá nada. Eu tenho medo de entrar e ver alguém que amo entrando porque vai se destruir e é triste”.

Para participar, crianças e adolescentes têm de ter entre 10 e 17 anos, estar matriculados em escolas públicas ou privadas e o contato deve ser feito em qualquer base comunitária da Polícia Militar.

Confira aqui nossa galeria de imagens com todas as fotos da ação deste sábado.